domingo, 3 de maio de 2015

MÃE









Que ternura indizível!
Quanta renúncia impossível!
Que amor é esse?
Que sepulta o próprio interesse,

Que dedicação plena!
Onde as lágrimas roubam a cena,
E a alma jamais se apequena,
No sangue do teu sangue que sofre a pena.

Que amor infinito!
Que explode no peito aflito,
Que eclode num labirinto,
Que engole o próprio grito,

Como exprimir o sentimento?
Presente em todos os momentos,
Na vida que nem mesmo se vive,
Na única liberdade que lhe deixa livre,

No amor que pratica o verdadeiro "amar",
Sem esperar nada em troca de valor,
Que jamais encontrará um único similar,
A não ser no amor do próprio CRIADOR.


As palavras desaparecem,
Tal qual o Sol que no fim da tarde se põe,
Fogem da presença, que tanto enriquece,
Quando se quer definir a vida de uma MÃE. 

MINHA MÃE

. 




Mãe,
Uma dor no meu peito se espalha,
Um aperto que aperta e encalha,
Uma lágrima rola e a voz entala.

Mãe,
Ouço você me dizer,
"Espere que já vou fazer",
Depressa a seu filho quer atender.

Mãe,
A falta de seu carinho trava a minha voz,
No peito fere tanto essa dor atroz,
Meu coração dispara pensando em nós.

Mãe,
Me lembro sempre do seu afago,
Me perco nessa dor que trago,
Que dura falta me faz seu abraço.

Mãe, 
Vejo seu rosto molhado,
Minha saudade ai, me leva ao teu lado,
Sua saudade aqui, me torna um ser alado.

Mãe,
Essa ausência insana,
Não conhece a dor que proclama,
Não se apieda das lágrimas que te chama.

Mãe,
Quero sua amada presença,
Não gosto de sua ausência,
Perdoe-me, minha triste carência.

Mãe,
Receba meu forte abraço,
Mesmo na imaginação que faço,
Sinto o aperto gostoso de seus braços.  

sábado, 2 de maio de 2015

MAIO










Mês das noivas
do amor que floresce
no coração que cresce
a paixão que enlouquece,

O Branco que encanta
o brilho que manda
a ternura mais santa
a meiguice que conta,

Do sonho que se realiza
no toque da suave brisa
que a face terna alisa
e ao coração ansioso avisa,

Do crepúsculo ao amanhecer
uma nova fase vai nascer
novos sonhos no entardecer
para o amor amadurecer,

O corpo no prelúdio se prepara
a ansiedade que no peito encara
no delírio do romantismo se acha
o pulsar de um coração que dispara,

O alma se enche de calor
a sensibilidade no peito se põe
no mundo cresce mais uma flor
porque a linda noiva vai virar mãe.

As duas dividem o peito
no mês inteiro se enfeitam
a noiva, nele se ajeita
e a mãe, dele se deleita.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

FORÇAS OCULTAS










Ondas silenciosas se aproximam
vagas lembranças me dominam
fortes determinações me asseguram
na distância da solidão uma figura,

Na fúria que o longo silêncio abriga
a ação que não se pode ver, mas fica
cravada no tempo que a história conta
de uma luta intensa por uma razão santa,

A paciência recomenda a discrição latente
os olhos da alma assistem atentamente
uma voz que não se escuta, mas entende
o resultado se adia ou vem logo na frente,

Forças ocultas agem na escuridão da noite
Se aperfeiçoam na prática da mentira,  
atuam silenciosamente, preparando a morte
de quem se descuida na estrada da vida,

Projetos do mal, ganham vida no invisível
longe dos olhos,  se firmam no incompreensível
fogem da claridade,  para não serem descobertos
se demoram na prática do que está encoberto,

Da fraqueza do fraco, se aproveita
nas brechas escondidas se ajeita
a uma alma esclarecida, espreita
na ausência de Deus, se deleita. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

ZONA DE CONFORTO










Como posso permanecer inerte
vendo o estado de meu semelhante
com as circunstâncias vou fazendo flerte
e o infortúnio anunciando a todo instante,

como posso ver tudo isso
e no meu conforto me calar
ficar no bem bom, omisso
sem com nada disso me importar,

Há dores no mundo inteiro
gritos ecoam em todo o universo
que o horror seja o mensageiro
para tocar os corações dispersos,

Que as lágrimas que correm lá
se multipliquem em quem assiste
o desespero de uma mãe chorando
por um filho que não mais existe,


No cárcere estão cumprindo penas
quem se desviou e fez da vida uma droga
encarcerado fica quem sabe que vale a pena
livrar um ente querido do submundo das drogas,

Tem corpos pelos escombros soterrados
pela fúria do tempo e seu fenômeno alcançados
em qualquer parte onde sejam encontrados
no desabrigo dos desabrigados,

É hora de se mover, fazer o amor funcionar
sair da inércia indecente, pondo em prática o "amar"
Levar a quem sofre, ou perderam seus portos
um pouco de paz e de solidariedade 

deixando a inútil tranquilidade, da zona de conforto.