domingo, 24 de novembro de 2019

CONTRADIÇÃO

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A contradição em geral, me assusta,
No delirio tonto da imaginação,
Crava um ponto de interrogação,
Como explicar o que não tem explicação?
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No que é politicamente correto,
Se aventuram seguros, os incautos,
No comodismo insano, e incerto,
Flutuam na hipocrisia como arautos.
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A mente se perde na indefinição,
O pensamento se funde, na imaginação,
Do nada, se extrai a sustentação,
Em coisa nenhuma, se firma a direção.
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O sorriso mais belo vira só uma encenação,
A palavra mais doce, traz um sabor de fel,
No caminhar juntos, se acha a separação,
No bem que existia, surge a prática do mal.
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No apreço apregoado, vigora o ódio mortal,
Na conduta tão meiga, se acha um gesto fatal,
Onde existia tanta atenção, só descaso,
Onde havia uma forte união, só fracasso.
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Que mérito pode ter o triunfo da mentira?
Até quando suportará o laço de embira?
A verdade sempre rompe e virá à tona,
A falsidade, nunca vence e beija a lona.
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Vá entender as contradições...
Em terrenos distintos se firma o inexplicável,
Nos delírios do peito, de um denso coração,
Nos desencontros do dia-a-dia, se ajeita a solução.
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Em fim, nada mais louvável do que a autenticidade,
Que não caminha na sombra da hipocrisia,
Que se deleita com a luz do sol ao meio-dia,
E jamais se deixa levar pela luz artificial da cidade.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

ENCANTO



Um sorriso invade e sobra na face,
Um suspiro rompe e atravessa o peito,
Quando vejo sem medo e sem disfarce,
Meu companheiro, vibrante e feliz desse jeito.
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Nem parece um cavalo, acha até que é gente,
Se zanga fácil, se a ração não chega na hora,
As vezes rompe a cerca e chama na porta,
Faz barulho, na cozinha ou na sala da frente.
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Se não me acha, rodeia a casa e me encontra na rede,
Me faz levantar pra preparar seu alimento,
Se alegra com um sorriso relinchando sempre,
Quando percebe que estou levando o feno.
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Seu temperamento forte, mas alegre e festivo,
Chama a atenção e até o amigo messi se ENCANTA,
Com quem se diverte num ambiente esportivo,
Pelo que todos o chamamos de ENCANTO.



terça-feira, 29 de outubro de 2019

DURAS LIMITAÇÕES


Tempos atrás (mais de cinco anos), escrevi esse poema. Estou republicando agora,

num momento difícil de uma pessoa que considero muito.








Ah! se eu pudesse, levar a paz,
Tirar a aflição e acabar com a guerra,
Eliminar o crime e a violência contumaz,
Banir de vez o ódio da face da terra,
Colocar um sorriso no rosto de quem chora,
Com absoluta certeza eu faria isso agora.


Ah! se eu pudesse, acabar com a tristeza,
Deixando em seu lugar somente a alegria,
Seguir sempre o bom exemplo da natureza,
Levar a melhor notícia antes de raiar o dia,
Sufocar a angústia que num peito vigora,
Com absoluta certeza eu faria isso agora.

Ah! se eu pudesse, destruir o medo,
Firmar a coragem e levar segurança,
Impedir a ação destruidora de um torpedo,
Fazer um semblante triste vibrar de esperança,
Mudar os fatos que marcaram uma triste hora,
Com absoluta certeza eu faria isso agora.

Ah se eu pudesse, cessar o sofrimento,
Aliviar a dor de um coração partido,
Retornar a paz, de antes de um duro momento,
Reviver só a alegria de longos dias idos,
Caminhar com liberdade pelo mundo afora,
Com absoluta certeza, eu faria isso agora.

Mas, infelizmente eu não posso alterar o rumo,
Minhas limitações, me torturam, diante do infortúnio,
No sobrenatural vou poder encontrar o prumo,
Que alivia meu coração e me confere o prêmio,
No Altíssimo estão as respostas de hoje de amanhã e de outrora,
Então espero Nele, tudo e tanto que eu gostaria fazer agora.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A DISTÂNCIA

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Caminhei, caminhei e nem me dei conta,
O prazer na estrada, o amor pela vida,
Me envolvi tanto que a alma ficou tonta,
Olhei pra trás, e me esqueci da distância escondida.
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Abracei o tempo, dormi ao relento,
Me encostei num canto, estendi o manto,
Me refiz do tombo, me atirei na lida,
O tempo não refaz a distância estendida.
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A distância é um martirio, pra quem o aconchego reclama,
É também um tormento pra quem persegue a fama,
É uma alucinação, pra quem anseia pela cama,
É uma miragem que se transforma num drama.
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Na curva mais forte, um perfume que alucina,
Que embriaga e faz apreciar o que não deve ter importância,
A paisagem que encanta e que tanto fascina,
E os olhos brilham esquecendo a atroz distância.
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Porque o silêncio se confunde com a felicidade?
Porque tanta "bondade", porque tanta arrogância?
Ninguém irá tão longe, porque já se avista a luz da cidade,
Mas o peito segue firme tentando encurtar a distância.
.
O ar mais puro, traz vigor e mostra um sinal,
Faz tempo que não me lembro dos hábitos da infância,
Melhor pernoitar e esperar por um novo dia afinal,
Quem sabe no amanhecer, eu resolva morar e por fim a essa distância.
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Sim, essa distância confusa que agoniza tanto,
Que se firma no nada, e em coisa nenhuma se abraça,
Que se esquece do bem mais precioso ao alcance da mão,
E se aventura na estrada, tirando da simplicidade o estado de graça.
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É a mania que temos de dar valor aquilo que não se tem,
E mais tarde vamos confessar: "eu era feliz e não sabia",
Melhor esquecer o passado e aguardar ancioso pelo ano que vem,
Desviando as pegadas da distância que tanto distancia.









quarta-feira, 18 de setembro de 2019

ESPINHOS E FLORES


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Nas quebradas do oriente,
Num universo bem diferente,
No canto mais discreto da mente,
Fiquei matutando no jeito das gentes,
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De observador inconteste e curioso,
Me envolvi demais naquelas bandas,
Sem perceber fui levado pelas ondas,
Que faziam do amor um bem precioso.
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Entre outros bons sentimentos,
A gratidão era um bem de alto preço,
Desde o começo e em cada momento,
Esse ensino sobrava naquele endereço.
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No cenário perfeito me envolvi,
Aprendi da jornada o melhor extrair,
Não chorar com a dor, absorver e seguir,
Na mesma toada, sem parar de agir.
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Entre as formas, segui as normas,
Amanheci no chão, caí da cama,
Quebrei um braço, perdi o abraço,
Lutei com feras, superei guerras.
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Na malhada mais ardente,
Cavei a terra, joguei a semente,
Molhei a planta, de uma vida pronta,
Nasceram lutas, amizades, flores e amores.
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Entre as pedras brutas e afogueadas
Sob o ameno sol de primavera,
Cultivei as rosas mais encantadoras,
E as violetas que enfeitavam a terra.
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Ahh , as violetas, como eram belas!!!
Fugiam do calor, gostavam da serra,
Entre densas matas, e longos granitos,
Viviam serenas no ambiente favorito.
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As pedras feriam duramente os pés,
As águas brotavam nas minas diletas,
E se uniam nas corredeiras do forte viés,
Revigorando na luta, quem não via festas.
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No cultivo das mais lindas rosas,
Um espinho, forjado, sem coração,
Rasgou a carne, o sangue jorrou,
A moda estranha, mancha deixou.
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Espinhos e cardos cobriam a relva,
Em cada semblante a marca do tempo,
Olhares distantes, o plissado na testa,
Sorrisos discretos, escondiam o lamento.
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A vida serena e pacata, enfeita a jornada,
Os passos prudentes, sempre levam a vitória,
A pressa não combina, distancia a glória,
Bom contemplar, o dia-a-dia, naquela invernada.
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Depois de um tempo, já perto do escurecer,
Nem sei o sentido, nem mesmo isso importa,
O lindo papel virgem se exibe sedutor, me conforta,
Me chama num canto, me acaricia e me faz escrever.